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domingo, 2 de fevereiro de 2014

RESUMO DO LIVRO "A RELÍQUIA"



A ação centra-se em torno de Teodorico Raposo – o protagonista e 
narrador. Teodorico vivia com uma velha tia, rica e muito devota. 
Por influência de um amigo, Dr. Margaride, decide aproximar-se da
 tia e traçar uma estratégia para herdar a avultada fortuna da velha 
senhora. Para tal, mostra-se (falsamente) religioso e devoto. Então 
ele pede à tia que lhe financie uma viagem a Paris, mas esta recusa-se
 terminantemente afirmando que Paris era a cidade do vício e da perdição.
 Teodorico pede, então, para fazer uma peregrinação à Terra Santa. 
A tia consente e pede a ele que lhe traga uma recordação.

O sobrinho leviano parte e, na viagem, envolve-se com uma inglesa – 
Mary – que, como recordação dos momentos que passaram juntos, lhe 
dá um embrulho com a sua camisa de noite. Chegando à Palestina, 
Teodorico Raposo continua a sua vida profana e imoral. Mas, aí, tem 
um sonho no qual se imagina a assistir todo o processo de Jesus. 
Esta é a forma que Eça encontra para negar a verdade da ressurreição.

Antes de regressar, Teodorico lembra-se do pedido da tia e corta uns 
ramos de um arbusto tecendo com estes uma coroa, e o embrulhou 
guardando em sua bagagem. Entretanto, uma pobre mendiga aparece 
e pede-lhe uma esmola. Teodorico então deu-lhe o embrulho que 
(pensava ele) continha a camisa de Mary.

Chegando em Lisboa, ele relata hipocritamente à tia todas as penitências 
e jejuns que fizera durante a peregrinação e oferece-lhe o embrulho, 
dizendo que este continha a coroa de espinhos.

A abertura da suposta relíquia faz-se perante uma imensa audiência de 
sacerdotes e beatas, num ambiente de ansiedade. Qual o espanto de todos 
quando, em vez do sagrado objeto, surge a camisa de noite da inglesinha.

Este insólito episódio resultou na expulsão de Teodorico da casa da tia e 
também na perda da fortuna que ambicionava.

Para sobreviver, Raposo passa, então, a vender relíquias da Terra Santa, 
que fabrica em grandes quantidades, acabando por arruinar o negócio. 
E acaba por compreender a inutilidade da falsidade e da mentira quando 
tem uma visão de Cristo.

Análise da obra:

Romance de segunda fase, A Relíquia, de Eça de Queirós, publicado em 
1887, nos dá uma visão pessimista do autor, de um Portugal demasiadamente 
conservador de que Titi é a principal representante; há também uma crítica 
ferina, contundente e cruel desta mesma sociedade portuguesa, 
ressaltando-se aí os defeitos do clero, o que já fora anteriormente feito em 
O Crime do padre Amaro (que faz também parte da segunda fase do autor). 
Desta vez, no entanto, a crítica é muito mais aguda e mostra as criaturas 
que fariam qualquer coisa por um pouco de dinheiro.

Principalmente neste romance o autor hostiliza os que ostentam o mundo 
de aparências; a própria D. Patrocínio, tão beata e tão piedosa, mas que, por 
discordar do modo de viver de um sobrinho "pecador', deixa-o morrer doente, 
sem atender-lhe os pedidos.

Estrutura da obra:

O romance está dividido em cinco grandes capítulos, todos inominados.

Foco narrativo:

O romance é narrado em terceira pessoa. O narrador é onisciente. 
Ele move-se lentamente pelo cenário, descrevendo detalhes mínimos de 
objetos ou vestuário, colocando o leitor dentro da cena de maneira realista.
 Esse apego à minúcia é outra marca de Queirós, que não pode ser esquecida.

Espaço / Tempo / Ação:

O espaço principal é Lisboa e, também, a Terra Santa para onde o narrador
 se dirige numa viagem patrocinada por Titi. O tempo da narrativa é 
cronológico e a narrativa linear, transcorrendo no período entre namoro de 
Luísa, a morte da mãe, o abandono pelo namorado, estendendo-se pelos 
dois anos de seu casamento com Jorge, até a viagem e volta desse.

A ação passa-se no final do século XIX:

Personagens:

Teodorico Raposo - Chamado por alcunha Raposão. Jovem hipócrita e 
interesseiro que se faz passar por beato para enganar a tia. Titi, e obter 
sua fortuna em testamento. E falso e mulherengo. Peregrina pela Terra 
Santa apenas para atender o desejo da tia e aproximar-se ainda mais de 
sua fortuna. Falta-lhe resíduo moral e decência mínima, já que não 
demonstra qualquer escrúpulo também em enganar as pessoas com suas 
falsas relíquias.

Dona Maria do Patrocínio (Titi): Senhora muito alta, muito seca, “carão 
chupado e esverdinhado’, beata, virgem e com aversão ao sexo. Dona de 
uma imensa fortuna, usava isto como motivo para atemorizar o narrador.

Crispim - Filho do dono da firma Teles, Crispim & Cia. Chamado 
ironicamente de "a firma". Tinha cabelos compridos e louros, e um 
comportamento homossexual durante a vida no internato. Acaba 
tornando-se patrão e cunhado de Teodorico.

Pinheiro - Padre frequentador dos jantares oferecidos por Titi. Triste, 
tem mania de doença e fica examinando sempre a língua no espelho.

Casimiro - Padre, procurador de Titi, vem sempre jantar com ela. Titi 
confia nele inteiramente.

Margaride - Homem corpulento e solene, calvo e com sobrancelhas 
cerradas, densas e negras como carvão. Foi amigo do pai de Teodorico 
em Viana, onde foi delegado. Foi juiz em Mangualde, mas aposentou-se 
depois de receber uma grande herança de seu irmão Abel. Tinha um gosto 
mórbido de exagerar as desgraças alheias.

Adélia - Amante de Teodorico, mas que era mantida por Eleutério Serra. 
Jovem interesseira, que acaba desprezando o protagonista por causa de 
sua obediência aos horários estipulados pela tia para chegar em casa e 
porque pouco consegue obter financeiramente. Acaba tornando-se amante
 do Padre Negrão, que recebe boa parte da herança de Titi.

Dr. Topsius - Alemão, formado pela Universidade de Bonn. Era um
 indivíduo espigado, magríssimo e pernudo, com uma rabona curta de 
lustrina, enchumaçada de manuscritos’. Tinha o nariz agudo e pensativo
 e usava óculos de ouro na ponta do nariz. Era patriótico, considerava a 
Alemanha a “mãe espiritual dos povos”. Apenas seu pigarro e a mania de 
usar a escova de dentes de Teodorico, desagradavam este último.

Mary - Amante que Teodorico arranja quando da viagem à Terra Santa, 
responsável pelo fato de Titi ter deserdado o sobrinho, por conta de uma 
camisola de rendas e de certo bilhete que nela havia pregado.

Padre - Negrão.

Vivência - Empregada de Titi.

Pote - Guia de Teodorico e Topsius em Jerusalém.

Justino - Tabelião de Titi.

Apedrinha - português encontrado no Egito como carregador de malas.

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